Hoje li um artigo do João Sayad, que aprecio bastante. Seu texto, na onda de 80% dos artigos sobre política escritos no últimos 7 meses, trazia um sentimento de falta de rumo político.
Bem, não é novidade alguma essa falta de rumo, que parece que assola uma boa turma desde a quada do Muro de Berlim...
Cada vez mais a crença (pra evitar a prostituída "esperança") de ter um encontrado um caminho, construído à la brasileira, parece estar se fragilizando, virando mais uma teimosia que uma idéia com crédito. Havia antes o forte sentimento de sermos parte de um caminho, original e criativo, que trazia a resistência clandestina misturada com uma conquista de legitimidade popular e legal.
E, agora... parece que não há saída! Há a recusa a fazer a política do "menos pior". Afinal, não é pra isso que se pegou em armas em 70, muito menos pra isso que se foi pras ruas em 80, nem pra isso que se disputou eleições em 90! Pra fazer o menos pior havia "eles", "os outros". E agora, parece não se saber mais quem somos "nós", quem são "eles"...
Falam muito em crise política, escândalo político, apatia política... talvez um termo novo a acrescentar nessa roda fosse o de carência política ... que talvez seja a herança mais dura e nociva desses tempos. Carência por significar "dicionaristicamente" a falta de algo, como por popularmente dar a entender um estado emocional e afetivo. Que talvez nos remeta a um outro sentido da política.
"No Brasil, a política só pode ter um sentido -preservar a democracia e construir a república que ainda pertence aos "donos do poder", coronéis, tecnocratas ou o partido da ocasião. Para isso é preciso crescer e incorporar excluídos e desempregados, que não pertencem nem apóiam o sistema. Qualquer outra coisa não tem sentido. O sistema político brasileiro, da forma como está organizado, reduziu os políticos a especialistas em ganhar eleições e a política à rivalidade eleitoral.
Parlamentarismo é solução ? No parlamentarismo, o Legislativo compõe o Executivo e é co-responsável pelas decisões do Executivo. Entretanto, no Brasil, a maioria parlamentar pertence a partidos sem programa, verdadeiras cooperativas reunidas apenas para ganhar eleições. Voto distrital misto? Eleições por listas partidárias? As listas seriam comandadas pelos coronéis do partido, os campeões eleitorais?
Sem reforma, o sentido da política continuará a ser, primeiro, dinheiro para ganhar eleições e, depois, enfrentar chantagem parlamentar e acusações de corrupção. A política fica sem sentido."